28 de agosto de 2010

(...) e ...


Estou andando, andando
Não sei onde vou cair
Só sei que terei que regredir
Mas não poderei esquecer tudo aquilo que vi.

Me embrenho, me tranco, me perco
Olhando pra dentro,
Atrás de um sonho
Que se repete todas as noites
E vejo, são camas, são lençois de linho
É o fexe de luz que surge da janela
Iluminado o vazio mais cheio que conheço.

Em um quarto de sonho
Eu sento e vejo, e sinto
A brisa,o tempo, o cheiro
Em um sonho de quarto
De um quarto de sonho.

Brilhante decisão
Saudosa sugestão
O inconformismo expesso,
Mal passado, intenso
Vulgar decisão do "sempre":

O sempre sentir
O sempre ver
O sempre procurar
O sempre prosseguir.

É um conto mal contado
Rabiscado em papel,
Na bancada de um quarto;
Que quarto entregue ao léu!

27 de agosto de 2010

Dos títulos que me sumiram á cabeça. Não consigo mais pensá-los.

Queria me fazer de forte,
De desentendida
Só pra você ver
Que amo mesmo e
Apesar de ser difícil,
A vergonha do dizer o sim
Não esconde o medo de admitir
Que o amor que sinto
Pode mudar a história do meu tempo
E fazer costumeiro aquilo que te fez ficar perplexa.

O que sinto na  verdade não é amor,
É uma simples inquietação 
Que faz acelerar os batimentos
E produz um medo de cair tão grande
Que o não admiti-lo não traz conforto
E nem alivia a dor,
Tampouco a respiração.

Ha um fluxo de energia
Que passa por meu corpo
E sem pedir licença invade
E quebra as barreiras
Entre a razão, sonho e realidade;
Me levam ao céu dos sonhos
E ao inferno da culpa.

Porque tudo precisa ser tão rígido?



 

24 de julho de 2010

Ótimo consolo do destino
Que hoje me deu você,
Você que não me ouve, 
Que não faz juízo às minhas palavras;

Você que me olha, que tenta me entender,
Que tenta fazer desse olhar venérea impressão
Ainda pobre, ingênua, crua, ocre.

Movimentos exatos, embora subjetivos, 
Tentamos a comunicação,
Tentamos fitar os olhos no que se pode vir além das impressões,
No que o incompreensível gesto, torna-se ânimo e fogo dentro do coração, que vê no diferente a possibilidade do tato e contato.
Nível mesquinho na natureza do que acarretam a ele.

Motivou-me, encantou-me, libertou-me da sagrada ignorância que separa dois mundos.

Sua presença quebrou um grande tabu,
áquele que diz que se se é perguntado algo, deve-se resposta, e como se cala, porque suas palavras os são incompreensíveis, são levados como simples brinquedos de gozação do destino.  
Tornou-se amigo, tornou-se irmão,

E não sou louca por ouvir palavras que nunca sairão da sua boca e sim de suas mãos.

Darte-ie um recado: Estou aqui, te entendo, te ouço, te vejo e és significantemente belo por ser do geito que és, detentor da possibilidade de não ouvir tantas coisas que não queria e assim, guardar o encanto da inocência, o qual em outras ocasiões talvez não o tivesse.

17 de julho de 2010

Um dia a gente aprende que...

...Amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.

E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam...

E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la, por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.

Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, contudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte...

 William Shakespeare

18 de junho de 2010

A Felicidade das Borboletas

 Olá! Meu nome é Marcela. Tenho 9 anos e hoje é um dia muito, muito, muito especial para mim! Sabe, eu estudo balé e daqui a pouco vou me apresentar pela primeira vez. Minha mãe disse que estou linda! Minha fantasia é de borboleta e a música que eu vou dançar faz a gente sentir como se estivesse voando!
Eu sei que a platéia está cheia, pois posso ouvir muitas pessoas se movimentando, conversando. São nossos pais e amigos que vieram assistir à nossa apresentação. Eu nunca tinha estado em um lugar com tanta gente antes! E, imagine só, todos vão me ver dançar!
Há um ano, quando pedi a minha mãe que me levasse até uma academia de dança, todo mundo achou estranho. Mas a música é tão maravilhosa e me faz sentir tão bem, que logo ela concordou. 
Minha professora é muito especial. Ela me apresentou às outras crianças, explicou como poderiam me ajudar a ser uma bailarina e hoje elas são minhas melhores amigas... 
No mês passado, quando eu perguntei o que era uma borboleta, minhas amigas trouxeram muitas para mim. Colocaram as borboletas nas minhas mãos, fizeram com que eu sentisse suas asas delicadas e depois me ajudaram a soltá-las... E eu sei que elas voaram para bem longe, felizes e livres. 
Eu sei disso porque há coisas muito especiais, que só se vêem com o coração; por exemplo, a felicidade das borboletas... e crianças especiais, como eu, que vêem tudo com o coração. 
E agora chegou nossa vez. Eu e minhas amigas.  Vamos entrar no palco e dançar a dança das borboletas, só queria que todas as pessoas que estão na platéia pudessem sentir o que eu sinto: a felicidade das borboletas, que, mesmo sem as poder ver com os olhos, posso enxergar a felicidade, no coração de cada uma de nós, um sentimento tão especial que é capaz de nos fazer voar, livres como borboletas.  para mim, a mesma que elas dançaram, quando nós dançarmos,
Marcela nasceu cega. Nunca viu o pôr-do-sol ou as cores de um jardim florido... Mas conhece o sorriso de seus pais e o abraço de seus amigos, pois Marcela é muito querida e amada. Como toda criança, Marcela gosta de brincadeiras, de boneca, de bicicleta, de parquinho, de música, de piscina e muito mais. E, também como toda e qualquer criança, precisou de ajuda para ganhar confiança, para aprender coisas novas. Graças a todo esse amor, a cada dia que passa, desenvolve novas habilidades. E Marcela tem muitas, como a de enxergar a felicidade com o coração!

Patrícia Engel Secco

4 de junho de 2010

Ainda espero..

Me perdi de novo.
Meus sonhos voaram para longe, os meus super-heróis viajaram. Estou só.
Pensei em não te machucar, em ficar parada, em silêncio pra ver se o seu olhar expressava que consegui esconder o meu medo; mas não me contive, peguei na sua mão, meus dedos suavemente percorreram os seus e gritavam aflitos afim de que você tirasse-os da solidão, o que eu via era muito mais do que toques, o suor do tremor interno, pulsante também estava ali, poderia não significar nada, e mesmo o nada é algo importante, ao menos para mim.
Vejo a sua mão dobrar, e meio que como um consolo apertou a minha, o meu ar acabou e o nada com o tudo que viria após o minuto vazio me tomaram, e o temor não era mais pelas mãos, e sim pelos olhos que frios não olhavam pra mim.

Olhei-te, mas tu não me olhas-te; aguardei com o relógio do pulso os milênios que se passaram em minutos vividos, a resposta que não veio e ainda aguardo; quando você virou não me viu, ao seu lado estava um poste, que com seus olhos ofuscantes te olhava, mas você nem sabia o que neles se guardavam. A resposta não foi dita, olhar não correspondido e o aperto não significava mais do que educação.
Triste história inacabada, de uma página que não foi virada, de um tempo que se chama agora e torna infinito o som dos martelos vermelhos, que batem como loucos que lutam por uma causa sem som. É só o que eu ouço, é só o que me atrái. Triste sensação que me alimenta a alma.
Posso eu livrar-me da dor? é mais real que o toque, que o beijo, que o corpo, que o seu amor. Se puder, me tires daqui!

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