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27 de outubro de 2009

Reflexão sobre artes

Zeami é um dos grandes nomes do teatro japonês. Atribui-se a ele a criação
do gênero Nô. Ao longo de sua vida, escreveu cerca de 200 Nô, dos quais a
metade ainda hoje é representada. O trecho que vem abaixo faz parte do texto teórico denominado "O espelho da flor", transmitido oralmente durante
décadas e publicado apenas em 1665, mais de duzentos anos após a morte do
autor e ator:
"Olhando as plantas em flor, perguntamo-nos: porque se simboliza por uma
flor todas as coisas do mundo? É pela sua existência efêmera que se gosta
delas, elas só florescem durante uma estação, são raras.
De igual modo, o Nô fala ao coração e suscita o interesse. A flor, o
interesse e a raridade, eis a maravilha do Nô.
Florir e murchar são inevitáveis: é o que torna as flores maravilhosas. O
encanto do Nô, a sua flor, encontra-se na virtude da mudança. O Nô nunca é
estático, transforma-se sem cessar, como a flor, e é esta mudança que o
torna tão raro.
No entanto, é necessário respeitar as suas regras e evitar a extravagância,
mesmo na demanda da raridade ou da novidade. Após todos os exercícios, no momento de apresentar um Nô, é preciso escolher de acordo com a situação. De entre todas as flores, só é verdadeiramente rara aquela que eclode no seu
quadro temporal. Do mesmo modo, se aprendestes bem as numerosas técnicas das artes, escolhereis adaptando-vos à época e ao público; será como uma flor na sua estação.
As flores de hoje são semelhantes às do ano passado. Assim, o Nô, mesmo
tendo já sido visto antes, ou inscrevendo-se num repertório importante,
retornará, após a passagem do tempo, igualmente raro."

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